Gravidez e Fertilidade

Introdução

A descoberta da Síndrome de Hughes (SAF) teve um grande impacto no mundo da obstetrícia. Enquanto há pouco mais de 20 anos, a maioria dos abortos eram provocados por “causas desconhecidas”, agora sabemos que 1 em cada 5 abortos recorrentes são causados pela síndrome – uma condição potencialmente tratável.


Perdas Gestacionais

Mulheres com a anticorpos antifosfolipide no sangue tem tendência à perdas gestacionais. A tendência varia _ algumas parecem não ser afetadas enquanto outras, sofrem com abortos recorrentes. Algumas abortam recorrentemente no começo da gravidez, enquanto outras gestações serão perdidas em estágio avançado.   As causas para as perdas no primeiro trimestre (até a 12ª semana) são provavelmente inúmeras, mas acredita-se que anticorpos antifosfolipides (aPL) possam impedir que a gestação se estabilize de maneira correta no útero (ventre). No entanto, o mais importante parece ser que esses anticorpos impedem a circulação de sangue nos micro vasos da placenta, e com isso, impedindo a circulação de alimento e oxigênio para o bebê. Os resultados do tratamento com anticoagulantes são extremamente bem sucedidos, especialmente com o tratamento com aspirina e heparina.

 

Perda Gestacional tardia

Obviamente, há muitas razões para as perdas gestacionais _ essas incluem anormalidades anatômicas do útero, anormalidades cronossômicas, hemorragias e infecções. Boa parte delas resultam na perda gestacional prematura _ dentro dos 3 primeiros meses. No entanto, a perda gestacional tardia (entre o 2º e 3º trimestres – em até 14 semanas antes do nascimento), especialmente quando se trata perdas gestacionais tardias recorrentes, a associação com a Síndrome de Hughes é bastante significativa.  Parece que os anticorpos antifosfolipides provocam coágulos na placenta, reduzindo os suprimentos de sangue e oxigênio para o bebê. Isso causa um crescimento ruim (restrição de crescimento intrauterino) ou até mesmo a morte do bebê.  Qualquer mulher que perca o bebê, sobretudo naquelas com perda gestacional tardia, devem ser testadas para o aPL. Se este teste fosse obrigatório, muito do sofrimento e tragédia futuros poderiam ser evitados. Mulheres com a Síndrome de Hughes, sofrem, infelizmente, um risco maior de complicações incluindo pré-eclampsia, ruptura placentária e insuficiência _ condições arriscadas, tanto para a mãe quanto para o bebê.   


Infertilidade

Agora está claro que a Síndrome de Hughes (SAF) também é responsável pela infertilidade de algumas mulheres. Assim como aquelas mulheres com perdas gestacionais prematuras recorrentes que são consideradas “inférteis”, pode haver outros mecanismos em jogo – observou-se que o aPL prejudica o desenvolvimento do trofoblasto* – impedindo  crescimento normal da placenta. Isso ainda é um território desconhecido, apesar de inúmeras clínicas afirmarem que a adição de, por exemplo, heparina, aumenta o índice de sucesso. É bem provável que o teste de aPL se torne obrigatório na pesquisa de infertilidade. 

 

Tratamento

Muitos hospitais agora tem clínicas de gravidez especializadas em mulheres tanto com lúpus (1 em cada 5 mulheres tem aPL) quanto para a Síndrome de Hughes (SAF). Há, no momento, poucas opções de tratamento – aspirina, heparina ou, muito ocasionalmente, corticóides. Baixas doses de aspirina aumentaram e muito a taxa de sucesso em mulheres com aPL – nossos próprios dados mostram que em 1985, a taxa de sucesso era de 15% e, em 2007, ela chegava à 90%. No entanto,ainda há casos de perdas gestacionais com o uso de aspirina. Sugere-se uma anticoagulação mais efetiva com a varfarina (Coumadin, Marevan), mas este medicamento é tóxico para o bebê após 6 semanas. Por esta razão, a heparina está sendo cada vez mais usada. Os novos centros utilizam as novas, “mais limpas” heparinas de baixo peso molecular. Essas injeções são administradas via subcutânea diariamente, por uma enfermeira ou, mais comumente, pela própria paciente _ heparinas preparadas agora estão disponíveis em mini-seringas. Em nossa clínica, a aspirina é prescrita para pacientes  com um (ou com presença de aPL) aborto prévio ou com histórico de trombose, enquanto uma combinação de aspirina e heparina é usada no tratamento daquelas pacientes com dois ou mais abortos, perda fetal tardia, partos de natimortos ou com histórico de tromboses anteriores.  Outras drogas, como anti-inflamatórios esteróides (como prednisona) e imunoglobinas são utilizadas apenas quando, por exemplo a contagem de plaquetas está baixa. Seu uso é descrito na página sobre tratamento.

 

8 comentários em “Gravidez e Fertilidade

  1. Oi,

    Meu nome é Kelly e o seu site foi o primeiro site que encontrei que me ajudou bastante sobre a SAF.

    Descobri que tenho SAF depois de 3 abortos espontâneos, todos logo no início da gravidez. Mas o meu problema é um pouco mais difícil.
    Antes de descobrir que eu tinha SAF, a causa que todos os médicos me davam para o aborto era o formato do meu utero. Meu útero era septado. Quando se tem um útero septado, as chances de abortos no início da gravidez são muito grandes.

    No 3o aborto, a médica fez alguns exames e me disse que um dos resultados estava um pouco alterado mas nada que precisasse ficar preocupada devido à baixa quantidade apresentada é ela também me recomendou um médico especialista em utero septado para que eu avaliasse se era melhor fazer a retirada do septo. O septo aumentava consideravelmente a chance de aborto.

    Fui no medico indicado e ele fez pré-exames para saber se havia algum indício de que poderia ter mesmo SAF. A princípio, o exame não indicou nada, porém um segundo exame mais específico (no qual eu tomei uma injeção com hormônios) foi descoberto que eu tinha SAF. Essa condição, porém, não foi uma negativa para eu realizar a remoção do septo.

    Só que o 3o aborto, a remoção do septo e a descoberta do SAF ocorreu tudo no Japão. Apesar de eu ter uma tradutora que me ajudava, ainda tenho muitas dúvidas. Uma das dúvidas é sobre como é medida a SAF ou se ela é medida.

    Quando eu recebi o exame escrito, dizendo que eu tinha SAF, não entendi muito. Eu achava que existia um padrão mínimo e máximo para dizer que eu tinha SAF, ou seja, se você está dentro dessa faixa você tem SAF.
    Como se lê um exame de SAF?

    Obrigada

  2. Boa noite!
    Tenho procurado obstetras especializado em SAF, porém não tenho tido sucesso.
    Fui diagnosticada com SAF faz 4 anos e quero engravidar no próximo ano, porém até o momento só encontro médicos que me desaconselham a engravidar. Sei q é possível, so preciso de algum capacitado para me auxiliar.
    Vocês possuem alguma indicação em SP?
    Muito obrigada
    Bruna

    1. Oi Bruna bom dia. Entrei em contato com o Dr Guilherme de Jesus, ob especialista em SAF no Rio e pedi a ele referência. Assim que ele me der um retorno, volto a falar com VC, mas eu concordo que é possível sim engravidar, desde que com o acompanhamento adequado.

      1. Oi Bruna, bom dia. Além do Hospital Pedro Ernesto, o dr Guilherme de Jesus atende também 2x/semana à tarde em um consultorio particular na Rua Visconde de Pirajá, 595 sala 509. O telefone do consultório é (21) 2249-9796 . Se você quiser se consultar com ele no Hospital Pedro Ernesto, precisará de encaminhamento e aguardar o agendamento pelo SISREG (que aí, só Deus sabe quando eles vão conseguir te agendar…). Sugiro que você ligue para o consultório para saber quanto custa a consulta. Bj

    2. OI Bruna, bom dia. Desculpe a demora. Consegui o nome de uma ob especialista em saf. você deve procurar a Dra. Fernanda Spadotto Baptista, ela é da USP e trabalha com SAF. Com certeza ela não vai contraindicar a gestação. Bjs

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