Gerenciamento da Dor

A dor é um sintoma muito comum em pacientes com SAF _ e outros problemas reumáticos_ e muitas vezes não sabemos como lidar com ela, tampouco, sabemos como dizer aos nossos médicos sobre essa dor.
O texto abaixo é a tradução de página “Pain Management” do site britânico The Antiphospholipid Syndrome. Seu coordenador, James Weedmark, me autorizou a traduzir esta página. Os medicamentos descritos são vendidos no Reino Unido, Europa e Estados Unidos. Não sei se alguns dos medicamentos citados na tradução são vendidos aqui no Brasil. De qualquer forma, se eles forem vendidos, certamente precisarão de receita médica e, muito provavelmente, as receitas ficarão retidas nas farmácias. NUNCA se esqueça de conversar com seu médico sobre o melhor medicamento a ser prescrito para o seu caso.

O gerenciamento da Dor e a Escolha do melhor medicamento

Há algumas regras acerca do gerenciamento da dor – há algumas regras básicas sobre gerenciar a dor que são bem úteis.

A escolha do medicamento mais indicado

Medicamentos comuns

É bem provável que você já tenha tomado algum medicamento sem receita, medicamentos comuns: aspirina, paracetamol (Tylenol®), ibuprofeno (Advil®, Motrin®, etc.),ou medicamentos semelhantes. Tais medicamentos são provavelmente os que seu médico prescreverá em caso de dor leve – moderada.

Opióides

Se esses medicamentos não aliviarem sua dor, fale com o seu médico. Ele precisa saber que você está sentindo dor, onde a dor está localizada e como ela se apresenta. Ele também precisa saber quais medicamentos você tomou e em quais doses. Provavelmente seu médico prescreverá um medicamento chamado de opióide (algumas vezes chamado de “narcótico”).
Esses medicamentos são vendidos em drágeas que também contém aspirina ou paracetamol. Essas combinações de medicamentos provocam um efeito sinérgico, ou seja, trabalham juntos para o melhor alívio da dor do que se fossem tomados sozinhos.

Por exemplo, pessoas que têm câncer que se espalhou para os ossos (metástase óssea), podem experimentar um agente anti-inflamatório não esteroide (ibuprofeno ou equivalente) somado a um opióide. Contudo, esses medicamentos podem provocar reações adversas e os pacientes sempre devem consultar o médico antes de tomá-los. Pessoas com histórico de úlceras estomacais, hemorragias internas ou doenças renais ou hepáticas estão mais propensas às reações adversas.

Se esses opióides ou medicamentos combinados não aliviarem sua dor, ou se você estiver sentindo dor severa, outros opióides devem ser prescritos. Apesar de haverem muitos medicamentos opióides, os mais comuns incluem morfina, oxicodona, hidromorfona e fentanil. Um antigo opióide, chamado meperidina (Demerol) tem mais efeitos colaterais do que benéficos e um período de atividade muito curta e raramente deve ser utilizado. Se o seu médico prescrever qualquer opióide, pergunte-o se você deve incluir um medicamento comum à sua receita.

Opióides Comuns:
Codeína, Oxicodona, hidrocodona, morfina, hidromorfona, fentanil (evite meperidina)

Outros Medicamentos que Aliviam a Dor.

A dor que se origina nos nervos _ dor neuropática_ é melhor tratada com antidepressivos e anticonvulsivantes, geralmente associados a um opióide. Geralmente são utilizados em doses inferiores às utilizadas no tratamento de depressão e convulsões. No entanto, se o paciente possui dor neuropática e também sofre com depressão ou convulsão, esses medicamentos podem ser prescritos nas dosagens tradicionais, como forma de tratamento dos dois problemas ao mesmo tempo.
Esteróides (prednisona, dexametasona e outros) também ajudam a aliviar a dor quando utilizados com opióides. Esses medicamentos reduzem a inflamação que podem exercer pressão em uma área já sensível à dor. Eles também auxiliam na redução de edemas cerebrais (fluido nos tecidos cerebrais) associadas à tumores e à metástase cerebral, melhorando, assim, a dor bem como alguns sintomas neurológicos. Os esteroides também podem melhorar o apetite e a sensação de bem estar. Os efeitos colaterais dos esteroides geralmente dependem da dosagem ingerida e do tempo de utilização desses medicamentos. Os efeitos colaterais mais comuns na utilização a curto prazo são, hiperglicemia, inchaço nas pernas e braços provocada por retenção de líquidos, dificuldade para dormir e confusão. Como os esteroides podem provocar úlceras estomacais, seu médico pode prescrever um medicamento para proteger o estômago enquanto você estiver tomando esses medicamentos.
Finalmente, quando a dor é oriunda de um lugar específico, mas está difícil lidar com ela com os medicamentos comuns, bloqueadores neuromusculares podem ser utilizados, geralmente este procedimento é realizado por um anestesista. O bloqueio neuromuscular é realizado através de uma injeção de um anestésico na área do nervo para impedi-lo a emitir sinais dolorosos. É como um procedimento de anestesia para procedimentos odontológicos, mas podem ter maior duração. Outros bloqueios neuromusculares podem ser realizados inserindo um cateter em um dos espaços próximos à coluna espinhal e liberando lentamente pequenas quantidades de opióides e anestésicos. Se este cateter for colocado, uma pequena bomba poderá ser utilizada para liberar continuamente pequenas quantidades de medicamento, mantendo assim, o alívio da dor.

Eu tomo um medicamento opióide. Eu posso continuar tomando o remédio que eu já tomava?
Se seu médico prescrever um medicamento para dor, pergunte-o se você deve continuar tomando medicamentos comuns. NÃO CONTINUE TOMANDO O MEDICAMENTO COMUM, A NÃO SER QUE SEU MÉDICO PERMITA.

Se a dor retornar após a dosagem estável de um opióide, sua dose regular possivelmente aumentará no mínimo 50%. Por exemplo, se você estiver tomando 10mg de morfina a cada 4 hs, seu médico precisará aumentar a dosagem para 15mg a cada 4 hs, para que você tenha alívio na dor novamente.

A dose da medicação que é necessária para tratar a dor intermitente é determinada pela dose de medicamento que você habitualmente toma. Uma dose para dor intermitente é geralmente equivalente a 1-2h do seu medicamento regular. Assim, ela deve ser aumentada à medida que a dosagem de seu medicamento regular aumentar. Isso não acontece porque você está tomando muitos medicamentos. Acontece porque a dose para a dor intermitente deve ser calculada como um percentual da sua dose regular. Converse com seu médico sobre a dose que você deve tomar para a dor intermitente. Além disso, é importante que seu médico converse com seus familiares ou cuidadores para que eles entendam como o processo de dosagem funciona.
Como a dor incidente é previsível, o melhor tratamento é tomar o medicamento antes de iniciar a atividade que provoca a dor. A dose pode ou não ser igual à dose da dor intermitente. Trabalhe com seu médico e use sua própria experiência para determinar qual dose melhor previne a dor antes do início de atividades específicas.

6 comentários em “Gerenciamento da Dor

  1. Descubri a poucos dias que tenho saf estou muito nervosa por mais q procure nao encontro resposta.Oque causa essa doenca? tenho q fazer dieta? saf e um cancer?quais sao os sintomas? pq nem sei explicar pq estou sempre com infeccicao ,guarganta, ouvido,olho muitador de cabeca.

    1. Oi Antonia, boa tarde

      Não fique nervosa. A SAF é uma doença autoimune, ou seja, o seu organismo cria anticorpos (defesas) contra o seu próprio corpo. Você não pega a SAF de uma pessoa e ela também não é um cancer. O primeiro passo que você precisa dar é encontrar um reumatologista que entenda de SAF, pois, infelizmente, ainda há muitos profissionais que não conhecem a saf. Em relação a dieta, isso dependerá dos medicamentos que você precisará tomar. A medicação é para vida toda. Por exemplo, se você precisar tomar anticoagulantes, você deve diminuir a quantidade de alimentos com folhas verde escuras. Não é cortar totalmente, apenas diminuir.
      Quando se tem SAF, em geral, os reumatologistas recomendam evitar comer alimentos gordurosos tipo mcdonald’s, ketchup, mostarda, ingerir alimentos saudáveis. Mas tudo isso deve ser acompanhado por um médico reumatologista ou um hematologista.
      Eu sou apenas uma paciente, mas, será que suas infecções e dores de garganta, ouvido não podem estar sendo provocadas por uma baixa da imunidade? O médico precisa avaliar esses sintomas para te dar uma reposta mais precisa. Aqui no blog tem uma página que descreve as características clínicas da SAF.
      Como disse, o correto é você se consultar com um especialista. Ele poderá ajudá-la, inclusive com relação ao tratamento que você possa vir a fazer;
      Se quiser mais alguma informação, não hesite em se comunicar. Um abraço

  2. Oi…hj estou aquii cheia de duvidas e angustias… Estou tentando achar o telefone do dr roger levy para avaliacao correta de saf que na verdade tive um diagnostico ha mais de 10 anos e depois disso foram varios exames, medicos variados, dinheiro e de verdade nada de concreto. Acho ate que neguei a doenca mas tambem por falta de informacao de todos os medicos que passei. Agora me encontro com medo e com vontade de me internar e so sair quando tiver feito todods os exames para saber como estou. Nesse tempo todo, tive a minha filha , em 2005 e foi uma gravidez tranquila sem medicacao. Nenhuma ate pq acho q ninguem sabia do que se tratava e hj, nesse exato momento vejo a importancia nao so de tomar um AAS como me disse uma reumato mas sim fazer um acompanhamneto serio e rigido. Quero muito me consultar com o Dr Roger Levy e estou em busca do conatto de seu consultorio, caso alguem o tenha por me passe… Sem duvida falar um pouco esta me aliviando dos medos… Bjs

  3. Ola! bom dia! Tenho SAF, mas nuncative evento trombotico, graças à Deus. Descobri em exames de infertilidade. Vc sabe se SAF pode causar dor neuropatica nos braços? Fui a neurologidta indica pelo Dr Roger, Dr Norma, ela diagnosticou com neuropatia de fibras finas, mas ela não falou se é a SAF q causa isso. Não sei de onde vem essas dores. Fui a outros neurologista e nenhum deles conhece bem a SAF.

    1. Oi Michelli, bom dia. Não sei te afirmar com certeza, mas busquei em meus arquivos e encontrei um artigo, publicado há dez anos que diz o seguinte:
      Ainda não existem estudos, com delineamento apropriado, utilizando estudos de neurocondução na SAF. A neurocondução é a etapa da ENMG sem o exame com agulha. Esses estudos possuem a vantagem de ser não invasivos, estandartizados e, na avaliação das polineuropatias, são incomparavelmente mais informativos que o exame com agulha (miografia)(21).

      “A desconfiança de que haja uma vinculação patogenética entre SAF e neuropatia periférica pode ser levantada a partir do relato de casos de pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) e aquela manifestação clínica. Este é o caso de um estudo retrospectivo(22) realizado num grupo de 35 crianças com LES.
      O envolvimento do SNP ainda não foi apropriadamente estudado na SAF. As atenções têm se dirigido ao SNC, provavelmente porque o impacto clínico é maior, ou porque existem mais ferramentas propedêuticas para sua aferição. Os estudos de neurocondução abrem uma janela de oportunidade diagnóstica para examinar se pacientes com SAF apresentam ou não envolvimento do SNP nas suas diferentes formas de apresentação. Eles têm a vantagem de ser não invasivos (prescindindo do exame com agulha, um complicador em pacientes anti-coagulados), estandartizados e oferecer um alto grau de sensibilidade”.
      Ate 10 anos atras, ainda nao era possivel determinar se a SAF poderia ou nao provocar neuropatia. Os estudos do dr Yehuda Shoenfeld mostravam que era uma manifestacao extremamente rara… nao tenho acesso a textos mais recentes, mas, pode ser que ja estejam realizando novos estudos sobre o tema. Desculpa nao poder te ajudar mais.
      O link para as informações que te passei é o seguinte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042007000400007

      Bj

      1. Oi Beatriz. Obrigada pela atenção. É que li no seu blog sobre dores neuropaticas e achei q está associada a Saf. Tenho medo de algo pior.

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