Alimentação

05/12/2011

Conforme prometido, segue artigo sobre alimentação, gentilmente cedido pela Dra. Karin Klack, nutricionista do Hospital das Clínicas de São Paulo

Intervenção Nutricional nas Doenças

Reumatológicas

 

AUTORES

Karin Klack

Nutricionista da Divisão de Nutrição e Dietética (DND) e do Atendimento Ambulatorial do Serviço de Reumatologia, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP. Especialista em Saúde Pública e Envelhecimento pela Faculdade de Saúde Pública – USP.

Ana Catarina Medeiros Castro

Nutricionista Especializanda em Nutrição Aplicada às Doenças Renais pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Capacitação Profissional em Atendimento Ambulatorial, DND do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Patrícia Gomes Silva

Nutricionista com Capacitação Profissional em Atendimento Ambulatorial, DND do Hospital das Clínicas da FMUSP.

ARTRITE IDIOPÁTICA JUVENIL (AIJ)

Dentre os tratamentos da artrite idiopática juvenil (AIJ) destaca-se a intervenção nutricional realizada por meio de uma alimentação saudável e equilibrada, tendo como base a pirâmide alimentar (Figura 1), que preconiza maior fracionamento e menor volume de alimentos nas refeições, além de estimular a variedade para que haja o consumo de todos os grupos alimentares.

1.    Carboidratos ou alimentos energéticos: nesse grupo, é priorizado o consumo dos alimentos em sua forma integral para melhor desempenho digestivo e intestinal.

2.    Frutas e hortaliças ou alimentos reguladores: nesse grupo, é enfatizado o consumo dos alimentos in natura, para melhor aporte de vitaminas, minerais e fibras, para o auxílio à perda de peso e saciedade.

3.    Alimentos proteicos ou construtores: ricos em vitaminas e eletrólitos que participam da composição do sistema imunológico. Recomenda-se o consumo de carnes magras e/ou brancas e laticínios desnatados ou magros; estes, por serem fontes de cálcio, auxiliam na prevenção da osteoporose.

4.    Óleos/gorduras e açúcares: o consumo desse grupo deve ser moderado devido ao seu alto índice calórico e baixo valor nutritivo.

ARTRITE REUMATOIDE (AR)

A artrite reumatoide (AR) é uma doença sistêmica que causa inflamação nas articulações, rigidez, edema, dor intensa e perda de mobilidade. Os alimentos ricos em ácidos graxos ômega 3 podem auxiliar na redução da resposta inflamatória, enquanto que os ácidos graxos ômega 6 podem agravá-la. Essas gorduras são encontradas principalmente nos alimentos da Tabela 1.

Dos indivíduos que possuem AR, aproximadamente 20% manifestam alergias alimentares que podem provocar crises da doença. Dentre os alimentos indutores de alergia estão frutos do mar, soja e derivados, trigo, milho, álcool, café e certos aditivos encontrados em produtos industrializados.

É aconselhável o consumo diário de vegetais verdes e frutas frescas, como laranja, limão, damasco, melão, cereja, uva, mamão papaia e ameixa, por terem efeito anti-inflamatório, e as leguminosas que, por meio do zinco, auxiliam o sistema imune. Alguns estudos têm mostrado que o consumo de fontes de vitamina E auxilia na redução da dor em pacientes com AR, sendo encontrada em laticínios, aves, fígado, ovos, oleaginosas e gérmen de trigo.

A anemia pode estar presente nos pacientes com AR, sendo tratada com alimentos ricos em ferro e ácido fólico, indicados na Tabela 2. Em casos de excesso de peso, recomenda-se uma dieta hipocalórica (Tabela 3).

O cuidado alimentar deve ser ainda maior na corticoterapia, devido aos seus efeitos adversos. Em caso de ocorrência de hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes melito (DM) ou dislipidemia (DLP), a dieta deve conter quantidades moderadas de sódio (Tabela 4), de carboidratos simples e de gorduras saturadas (Tabela 5). Como prevenção e/ou tratamento da osteoporose, recomenda-se o consumo de fontes de cálcio e vitamina D (Tabela 6).

ESCLEROSE SISTÊMICA (ES)

Algumas das manifestações clínicas da esclerose sistêmica (ES) podem ser prevenidas, tratadas ou amenizadas pela dietoterapia:

1.    Disfagia: recomenda-se uma mudança na consistência da dieta para pastosa ou branda (Tabela 7). Os condimentos fortes e picantes devem ser evitados, assim como frituras, doces concentrados, embutidos, conservas, bebidas gaseificadas, hortaliças e frutas cruas (exceto aquelas que podem ser amassadas).

2.    Refluxo gastroesofágico: para amenizar esse sintoma, deve-se evitar alimentos e preparações muito gordurosas, produtos à base de cafeína, bebidas alcoólicas, doces concentrados e alimentos ricos em purina, por estimular a produção do ácido clorídrico (Tabela 8). Recomenda-se fazer de 6 a 8 refeições diárias, de menor volume; evitar a ingestão de líquidos durante as refeições principais; evitar se deitar após as refeições e manter horários regulares para evitar o consumo exagerado dos alimentos.

3.    Obstipação intestinal ou diarreia: a utilização de fibras alimentares (Tabela 9) pode ser bastante eficaz no tratamento desses sintomas. Os fruto-oligossacarídeos (FOS) encontrados em alguns alimentos, como alho, cebola, banana, tomate e alcachofra, evitam a disbiose; também podem ser encontrados na forma sintética, disponíveis comercialmente em sachês. Em casos de diarreia, deve-se evitar ao máximo o trabalho digestivo, por meio de uma dieta sem resíduos, mostrada na Tabela 10. Recomenda-se fazer as refeições a cada 3 horas em menor volume e aumentar o consumo de líquidos como água, água de coco, chás de ervas, suco coados, sopas e bebidas isotônicas.

4.    Hipertensão arterial sistêmica (HAS): o controle pressórico por meio dos alimentos visa à redução do consumo de cloreto de sódio, minimizando o sal de adição, como também os alimentos ricos em sódio, indicados na Tabela 4. Orienta-se também o consumo de frutas e hortaliças fontes de potássio, por auxiliar na redução da HAS.

5.    Anemia: na prevenção e/ou tratamento da anemia, são indicados alimentos fontes de ferro, como mostrado na Tabela 2, e de vitamina C para o aumento absortivo. Já alimentos como farelos, espinafre, café, chá preto ou mate e laticínios junto às refeições principais devem ser evitados, por prejudicarem a biodisponibilidade desse mineral.

ESPONDILITE ANQUILOSANTE

A espondilite anquilosante é caracterizada por inflamações vertebroarticulares que ocorrem de forma progressiva, podendo ocasionar dor, imobilidade e alterações da qualidade de vida, além de manifestações não articulares como a osteoporose e doenças inflamatórias do trato intestinal. Nos indivíduos acometidos pela osteoporose, a orientação consiste no consumo adequado dos alimentos fontes de cálcio e vitamina D (Tabela 6).

Em casos de acometimento por doença inflamatória intestinal, a intervenção nutricional visa aliviar a dor abdominal e as crises diarreicas com uma alimentação restrita em resíduos, como produtos lácteos e fibra insolúvel, por acelerarem o trânsito intestinal. O teor dessas fibras insolúveis deve ser introduzido lentamente na dieta, assim como os vegetais crucíferos, leguminosas, oleaginosas e doces muito concentrados devem ser restritos em caso de flatulência. Recomenda-se o consumo de alimentos ricos em fibras solúveis, por retardarem o esvaziamento gástrico e auxiliarem no controle do trânsito intestinal.

GOTA

A gota é caracterizada pelo depósito de cristais de ácido úrico nas articulações. Seu tratamento consiste em intervenção medicamentosa, nutricional e mudanças no estilo de vida, incluindo manutenção ou perda de peso, sendo indicada a dieta hipocalórica (Tabela 3) e o abandono do consumo de bebidas alcoólicas, além da restrição aos alimentos com alto teor de purina (Tabela 8).

O consumo de frutas e hortaliças frescas é indicado para se obter vitaminas, minerais e fibras, além do consumo de cereais e de carboidratos para a obtenção de energia e de líquidos para minimizar a possível formação de cálculos. Nos casos em que o paciente apresentar a síndrome metabólica associada (Tabela 11), recomenda-se moderação no consumo de alimentos ricos em sódio, carboidratos simples e lipídios, sendo indicados os ácidos graxos mono e poli-insaturados.

LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES)

O LES é uma doença autoimune que pode causar artralgias, erupções cutâneas, fadiga e xerostomia, além de danificar múltiplos órgãos, principalmente os rins. Pode ser agravado por certos alimentos, sendo aconselhável evitar os que possuem uma substância denominada psoraleno, agente pigmentado dérmico que acentua a fotossensibilidade, como o limão, as limas, o figo, o aipo e a salsa.

A dieta apropriada ao LES deve ser hipocolesterolêmica, como forma de prevenção de doenças cardiovasculares, como a DLP (Tabela 5). Quanto aos efeitos adversos da corticoterapia, recomenda-se dieta hipocalórica (Tabela 3), preventiva do ganho excessivo de peso e rica em cálcio (Tabela 6), além de hipossódica (Tabela 4) em casos de HAS ou retenção hídrica. Se o paciente desenvolver intolerância à glicose ou diabetes, recomenda-se consumo moderado de carboidratos simples e aumento de fibras alimentares:

Quadro 1: Orientação dietética para diabetes

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Açúcar, mel, melado, doces em geral, refrigerantes Adoçantes, produtos diet e frutas
Preparações gordurosas, lanches, fast foods, salgados Preparações com carnes magras, frango sem pele, peixes
Frituras Grelhados, cozidos ou assados
Leite integral e derivados, creme de leite Leite desnatado e derivados
Alimentos refinados (pão, arroz, farinha)* Alimentos integrais (pão, arroz), aveia, linhaça
Conservas e enlatados Produtos naturais
Tubérculos* Leguminosas e hortaliças
Bebidas alcoólicas Sucos de frutas (diluídos)

*Consumir de forma moderada.

Nos casos de síndrome metabólica associada ao LES, as recomendações dietéticas são citadas na Tabela 11. Dentre os sintomas gastrintestinais mais comuns estão dor abdominal e diarreia, sendo aconselhável a alta ingestão hídrica e dieta sem resíduos, como mostrado na Tabela 10, e não fermentativa, reduzida em vegetais crucíferos.

Dentre as alterações sanguíneas, a anemia é a mais frequente, sendo recomendada uma dieta rica em ferro e ácido fólico (Tabela 2). Já nos distúrbios renais, o consumo de alimentos proteicos deve ser restrito.

Como forma preventiva, são indicados os alimentos fontes de vitamina C, betacaroteno, zinco e selênio, por auxiliarem no restabelecimento da imunidade, estimulação da formação óssea e proteção contra as doenças cardiovasculares. Esses nutrientes são encontrados na laranja, cenoura, leite, ovos, vegetais verde-escuros, peixes, castanha-do-pará e cereais integrais.

OSTEOARTRITE

A osteoartrite é uma doença articular causada por alteração não infecciosa e progressiva na cartilagem das articulações sinoviais e diartroses. Dentre os principais fatores de risco estão o envelhecimento e a obesidade, que deve contemplar uma alimentação equilibrada, com variabilidade dos grupos alimentares e moderada em calorias (Tabela 3), associada a um modo de vida ativo. Recomenda-se que os pacientes façam as refeições tranquilamente, evitando se alimentar em momentos de ansiedade ou nervosismo.

OSTEOPOROSE

Quando a decomposição óssea é mais rápida que sua formação, caracteriza-se a osteoporose. Uma alimentação deficiente em cálcio e vitamina D é uma das causas do desenvolvimento dessa patologia. A vitamina D (25-hidroxivitamina D), além de ser responsável pela correta absorção do cálcio, pode prevenir os sintomas das doenças autoimunes e melhorar a propriedade elástica das artérias em doenças cardiovasculares.

A prevenção da osteoporose deve ter início na infância, com uma dieta rica em cálcio e vitamina D (Tabela 6) e prática de atividade física. É recomendada a manutenção adequada de peso corpóreo e moderação no consumo de cafeína e de sódio (Tabela 4), por reduzir a retenção e aumentar a excreção de cálcio, respectivamente.

 SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE (SAF)

A síndrome antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune que causa eventos trombóticos arteriais ou venosos, abortos de repetição e morte fetal. Pode ser classificada como primária, secundária (principalmente ao LES) e/ou obstétrica. O tratamento consiste na anticoagulação oral e dieta hipogordurosa moderada em vitamina K (aproximadamente 1 mcg/kg de peso/dia). O recomendado é que seu consumo seja diário e restrito para não interferir com o tratamento medicamentoso (evitando tanto as hemorragias quanto a hipercoagulabilidade).

Quadro 2: Alimentos com teores aumentados e reduzidos em vitamina K

Alimentos ricos em vitamina k Alimentos pobres em vitamina k
Espinafre, couve, brócolis, repolho e couve de Bruxelas* Batata, batata doce, rabanete, cebola, tomate vermelho, pepino sem casca, cogumelos, beterraba e cenoura
Alface, couve-flor, agrião, aspargo, almeirão, tomate verde, cebolinha verde, vagem, algas marinhas Carnes: bovina, de frango ou peixe fresco, atum em salmoura, carnes grelhadas, peito de peru
Grão-de-bico, lentilha, soja e derivados, ervilha Torradas, biscoitos sem recheio e pães
Fígado, miúdos em geral, atum em óleo Leite desnatado, iogurtes desnatados e queijos brancos
Óleos vegetais em geral Cereais integrais, matinais e barra de cereais
Nozes, castanha de caju e pistache Banana, pera, morango, melancia, maçã sem casca, pêssego
Kiwi, abacate, ameixa seca, figo, amora silvestre e uva* Preparações: café, ovo cozido, arroz, feijão cozido, massas (com molhos simples), creme de milho, catchup, milho, farinhas, sopas
Preparações: ovo frito, pipoca, lasanha, molhos prontos, hambúrguer, pizza, petiscos, panqueca, waffles, lanches matinais (croissants), creme de espinafre, tablete de caldo de carne ou de legume, molhos de tomate industrializados  

* Esses alimentos devem ser evitados por terem grandes quantidades da vitamina K.

Os pacientes com SAF ainda podem apresentar anemia e osteoporose, devido ao anticoagulante. Nesses casos, é recomendado seguir a orientação acima e acrescentar fontes de ferro (Tabela 2), cálcio e vitamina D (Tabela 6) na dieta.

 

SÍNDROME DE SJÖGREN

A síndrome de Sjögren é uma doença sistêmica, inflamatória e autoimune, com acometimentos glandulares. O paciente apresenta principalmente xeroftalmia e xerostomia, que causa a necessidade de ingestão de líquidos em goles frequentes. É necessário estimular a salivação por meio do consumo de líquidos amargos, como limonada, líquidos com temperatura quente, consumo de frutas ácidas na ausência de aftas orais e de gomas de mascar sem açúcar, para tornar mais diluída a saliva já existente. Não são aconselhadas as preparações muito condimentadas ou salgadas (Tabela 4).

O consumo de alimentos secos pode ser ainda mais prejudicial, sendo indicadas preparações ensopadas. Nos casos de dificuldade de deglutição, aconselha-se o consumo de preparações trituradas ou amassadas. A Tabela 7 apresenta algumas preparações pastosas umidificadas e amolecidas para auxiliar na redução da xerostomia. A dieta rica em ômega 3 (salmão, sardinha, atum, linhaça e azeite) também é recomendada pelo efeito anti-inflamatório.

 

Tabela 1: Alimentos fontes de ômegas 3, 6 e 9

Fontes de ômega 3 Fontes de ômega 6 Fontes de ômega 9
Peixes de água fria (salmão, sardinha, atum, óleo de peixe) Óleos de milho, soja, girassol, amendoim, açafrão, algodão e prímula Azeite de oliva
Óleo e semente de linhaça, óleo de noz e de canola Leite (menor quantidade) Óleos de amendoim, canola e açafrão
Margarina enriquecida Carne (menor quantidade) Abacate

 

Tabela 2: Alimentos fontes de ferro e ácido fólico

Fontes de ferro Fontes de ácido fólico
Carnes, aves, peixes, miúdos, gema de ovo Miúdos
Verduras verde-escuras, beterraba Vegetais folhosos e legumes
Leguminosas e cereais integrais Milho
Figo, ameixa preta, damasco, tâmara, passas Amendoim
Produtos enriquecidos com ferro Levedo

  Tabela 3: Dieta hipocalórica

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Açúcar, açúcar mascavo, mel, doces em geral Adoçante, frutas, gelatinas
Bebidas alcoólicas e gaseificadas Água, chás, sucos de frutas diluídos
Frituras Alimentos grelhados, cozidos, assados
Carnes gordas, pele de frango Carne sem gordura visível, peito de frango, peixe
Frios e embutidos Peito de peru, blanquet de chéster
Temperos industrializados Temperos naturais
Molhos para salada, molhos cremosos, catchup Molhos à base de iogurtes desnatados, limão, vinagre
Queijos gordos Queijos brancos e magros
  Verduras e legumes

Tabela 4: Dieta hipossódica

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Temperos industrializados Temperos naturais
Conservas, enlatados Produtos naturais e frescos
Frios e embutidos Carnes magras, aves e peixes
Queijos gordos Queijos brancos e magros (sem sal)
Sopas em pacote e tempero de macarrão instantâneo Sopas caseiras e massas com molho simples
Pão francês, biscoito de água e sal ou cream cracker Pão integral, pão de leite, pão doce, biscoito água, biscoito tipo maisena
Manteiga ou margarina com sal Margarina cremosa sem sal, geleia

Obs: o bacalhau, a carne seca ou a defumada podem ser consumidos desde que o sal utilizado como conservante seja muito bem retirado no preparo.

 

Tabela 5: Dieta hipocolesterolêmica

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Laticínios integrais, queijos gordos Laticínios desnatados, queijos brancos e magros
Manteiga, margarinas duras Margarinas cremosas e/ou light
Frituras Alimentos grelhados, cozidos, assados
Carnes gordas, pele de frango, miúdos, frutos do mar, frios e embutidos Carnes magras, peito de frango, peru e chéster sem pele, peixes (salmão, atum, sardinha)
Maionese, molhos para salada, molho branco Molhos à base de iogurtes desnatados, limão, vinagre
Doces cremosos e/ou com coco Gelatina diet, frutas, doces à base de frutas, sorvetes de frutas, sucos naturais
Biscoitos recheados e cremosos, amanteigados Pães integrais, torradas, biscoitos sem recheio
Gema de ovo (no máximo, 2 unidades/semana, cozidas) Hortaliças, cereais, leguminosas, frutas oleaginosas
Gordura vegetal hidrogenada Clara de ovo
  Azeite, óleos de canola, soja, milho, girassol

Tabela 6: Alimentos fontes de cálcio e vitamina D

Fontes de cálcio Fontes de vitamina D
Leite e derivados Leite
Tofu (queijo de soja) Fígado, músculo bovino, sardinha, atum, salmão
Peixe enlatado (p.ex., sardinha) Óleo de fígado de peixe (bacalhau, salmão)
Feijão e ervilhas secas Margarina
Verduras verde-escuras (exceto o espinafre) Gema de ovo
Algas marinhas Cogumelos
Produtos enriquecidos com cálcio Produtos enriquecidos com a vitamina D

 

Tabela 7: Preparações de consistência pastosa e branda

Consistência pastosa Consistência branda
Mingaus, papas, purês, suflês e patês Mingaus, leite e derivados, papas, purês, suflês e patês
Vitamina de frutas Vitamina de frutas
Ovo cozido (gema mole) Ovo cozido
Arroz refinado bem cozido Arroz refinado cozido
Leguminosas liquidificadas e passadas na peneira Leguminosas cozidas
Massas bem cozidas Massas cozidas
Legumes bem cozidos, sopas Legumes cozidos, sopas
Frutas cruas (maçã e pera raspadas, banana e morango amassados, creme de abacate) e cozidas Frutas cruas (maçã e peras raspadas, banana e morango amassados, creme de abacate) e cozidas
Carnes (desfiadas ou moídas e bem cozidas) Carnes magras e macias, aves, peixes
Doces pastosos e/ou cremosos, geleias Doces cremosos, geleias

Tabela 8: Dieta para refluxo gastroesofágico

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Frituras Preparações cozidas, assadas, grelhadas
Bebidas alcoólicas ou gaseificadas Sucos de frutas
Café, chá preto ou mate (produtos com cafeína) Chá de ervas
Doces concentrados Doces pouco concentrados
Embutidos e frios Laticínios desnatados
Condimentos, corantes e molhos picantes Temperos naturais
Frutas ácidas Frutas não ácidas
Vegetais crucíferos Vegetais em geral

 

Tabela 9: Alimentos com alto teor de fibras

Cereais integrais e derivados Verduras cruas Legumes, de preferência com casca
Frutas Frutas secas Leguminosas

 

Tabela 10: Alimentos sem resíduos

Alimentos recomendados Alimentos a serem evitados
Mingau de farinha de trigo, araruta, maisena Doces concentrados
Ovo quente, cozido ou pochê, queijo fresco, ricota Embutidos, frios, frutos do mar
Sopas caseiras e caldo de feijão Sopas industrializadas, sopas creme
Arroz bem cozido, macarrão cozido em água e sal Frituras em geral
Batata cozida, purês, mandioca, mandioquinha Condimentos picantes e molho para salada
Legumes cozidos, feijão amassado e coado Verduras cruas ou refogadas, conservas em lata
Frutas maduras não ácidas e doces Frutas secas e frutas ácidas
Carnes sem gordura, ave, peixe fresco Carne tipo milanesa, apimentada, acebolada e frita
Torrada, bolacha de água e sal Cereais integrais, oleaginosas
Chás de ervas Bebida alcoólica, refrigerante, café, chá preto, mate

 

Tabela 11: Dieta para síndrome metabólica

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Leite integral e derivados, manteiga Leite desnatado e derivados, margarinas cremosas
Doces concentrados e cremosos Frutas, gelatina diet
Biscoitos recheados, amanteigados Pães, torradas e biscoitos integrais, bolacha água
Açúcar, mel, açúcar mascavo Adoçantes artificiais
Refrigerantes, sucos artificiais adoçados, garapa Água, chá, suco natural diluído, suco artificial diet
Miúdos, carnes gordas, embutidos, frutos do mar Carnes magras, peixes em geral, clara de ovo
Asa, pescoço, pé e pele de frango Peito de frango, peru e chéster sem pele
Sopas prontas, tempero de macarrão instantâneo Cereal, leguminosa, verduras e legumes
Salgados e salgadinhos de pacote Preparações ao forno
Temperos industrializados, conservas, enlatados Temperos e produtos naturais
Gordura vegetal hidrogenada Azeite, óleos vegetais

Tabela 12: Dieta para hiperuricemia

Alimentos a serem evitados Alimentos recomendados
Miúdos em geral, bacon, extrato de carne Carne de vaca, coelho, miolo*, presunto*
Algumas aves (pombo, ganso, peru, galeto) Galinha
Ovas de peixe, arenque, mexilhão, cavala, sardinha, salmonete, anchova, bacalhau haddock, salmão, truta Peixes (exceto os proibidos), camarão, lagosta, caranguejo*
Carnes, peixes defumados ou em conserva, embutidos Feijão, lentilha, ervilha, grão de bico*
Legumes fritos Frutas, verduras, frutas oleaginosas (coco), nozes*
Leite integral e derivados Leite desnatado e derivados
Bebidas alcoólicas, principalmente a cerveja Chá de ervas, suco de frutas e gelatinas
Gordura da carne, banha, óleo de coco, dendê Cereais, doces e açúcares*
Caldo de carne em tabletes, extrato ou molho de carne Manteiga, margarina, óleos*
  Condimentos, ervas, cogumelos

*Alimentos que devem ser consumidos com moderação.

BIBLIOGRAFIA

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2.    Cleary AG, et al. Nutritional impairment in juvenile idiopathic arthritis. Rheumatology. 2004;43:1569-1573.

3.    Angelis RC. Novos conceitos em nutrição. Reflexões a respeito do elo dieta e saúde. Arq Gastroenterol. 2001;38:269-271.

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12. Klack K, Carvalho JF. Vitamina K: metabolismo, fontes e interação com o anticoagulante varfarina. Rev Bras Reumatol. 2006;46:398-406.

13. Tidow-Kebritchi S, Mobarhan S. Effects of diets containing fish oil and vitamin E on rheumatoid arthritis. Nutr Rev 2001;59:335-338.

 

 

 

 

 

21/10/2011

Eu AMO comer. Sou, por assim dizer um bom garfo. Antes de eu ter a trombose, eu era praticamente vegetariana, comia muita verdura, principalmente as folhas escuras (couve, rúcula, agrião, etc).

Ao sair do hospital, descobri que todas essas verduras são riquíssimas em vitamina K (responsável pela coagulação do sangue), o que quando se tem SAF, o que menos se precisa é de uma dieta rica desta vitamina.  Ou seja, tudo o que eu amava, não poderia comer. No começo, eu chegava a sonhar com verduras… Sério.
Quando se tem um problema como a SAF, que você precisa tomar certos medicamentos que restringem sua alimentação, você fica como cego em tiroteio, sem saber o que fazer.
Apesar de haver alguma divergência de opiniões sobre quais alimentos deve-se consumir e quais devem ser evitados, nutricionistas pesquisadores importantes são unânimes em dizer que o paciente deve manter uma ingestão regular de vitamina K… Desde que não se cometa excessos.  Por exemplo, aprendi que se você comer um prato de sobremesa de salada de alface e tomate no almoço ou no jantar, não tem problema, mas não se deve colocar o azeite. Pode temperar com limão.
Aprendi também que não se deve cozinhar com óleo de soja. Prefira o óleo de milho e, basicamente, fazer uma dieta monótona. Abaixo segue uma lista de alimentos e qual o nível de vitamina K que eles possuem.

Alimentos Conteúdo de Vitamina K
Bebidas  
Café (Descafeinado, normal, instantâneo e expresso) Baixo
Coca, Pepsi (comum ou diet) Baixo
Leite Baixo
Chá (preto, mate) Baixo
Água Baixo
Grãos  
Pães Baixo
Cereais Baixo
Farinha Baixo
Aveia Baixo
Arroz Baixo
Espaguete Baixo
Laticínios  
Manteiga Baixo
Queijo Cheddar Baixo
Ovos* Baixo
Iogurte Baixo
Gorduras e Sobremesas  
Margarina Médio
Maionese Alto
Óleos (canola, salada e soja) Alto
Óleo (oliva – azeite) Médio
Óleos (milho, gergelim e amendoim) Baixo
Frutas  
Maçã Baixo
Banana Baixo
Mirtilio Baixo
Uva Alto
Grapefruit Baixo
Limão Baixo
Laranja Baixo
Pêssego Baixo
Kiwi Alto
Carnes  
Boi/ Bife Baixo
Frango Baixo
Peixe Gorduroso Baixo
Porco Baixo
Camarão Baixo
Atum Baixo
Peru Baixo
Vegetais  
Aspargos Médio
Abacate Alto
Feijão verde Médio
Brócolis Alto
Couve Alto
Rúcula Alto
Repolho Alto
Couve de Bruxelas Alto
Cenoura Baixo
Milho Baixo
Aipo Baixo
Pepino sem casca Baixo
Cebolinha crua Alto
Alface Alto
Nabo (cru) Alto
Espinafre Alto
Pimenta Verde Baixo
Condimentos  
Mel Baixo
Gelatina Baixo
Pasta de amendoim Baixo
Açúcar Baixo
Picles Médio

 

 * Os ovos devem ser ingeridos moderadamente e o ideal é cozinhá-los e não fritá-los.

Fonte: http://www.icor.com.br/sistemas/updown.public/arquivos/arq_Vitamina_K_5.pdf

Visitado em 20-10-11

Não há comprovação científica, mas uma coisa que eu faço e eu acho que ajuda é praticamente todos os dias suco de 1 laranja, 1 limão, 1 cenoura e 1 pedacinho de beterraba. Joga tudo no extrator de sucos e beba.

Ainda sobre a alimentação, uma nutricionista me orientou a comer muito peixe. Eu resolvi seguir isso à risca e como peixe 3x por semana. Principalmente atum e salmão (que são riquíssimos em Omega 3 e 6). Agora é fácil encontrar o atum, até porque, encontramos as latinhas em qualquer supermercado. A nutricionista me alertou ainda sobre a ingestão de biscoitos… Em vez de comprar biscoito cream-cracker, comprar o biscoito de água e sal, porque este não tem gordura trans (o gosto é o mesmo…)

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13 comentários em “Alimentação

  1. Oi Bia, seu blog está muito bom! Eu só queria fazer um comentário sobre a tabela de alimentos: mesmo que o alface tenha uma quantidade considerável de vitamina K, nas tabelas americanas eles consideram em 100grs do alimento e um prato (sobremesa) dessa folha tem apenas 35grs, por isso que, como nutricionista indico aos meus pacientes com SAF.

    Um beijo enorme da sua amiga e nutricionista do Hospital das Clínicas – Karin Klack

  2. ola,afinal , uma medica me disse que amendoin não pode comer quem tem s.a.f
    aqui vejo que pode ou somente o oleo de amendoin que pode, outra informação, oleo de coco pode alguem sabe…..tenho s.a.f. . e já tive varios avc,

    1. Oi Ricardo, obrigada pelas suas perguntas. Como não sou nutricionista, não sei te responder, mas enviei suas dúvidas para a Karin Klack, nutricionista do Ambulatório de SAF do Hospital das Clínicas de São Paulo. Assim que ela responder, eu retorno para você,ok?
      Um grande abraço e feliz ano novo! 🙂

    2. Oi Ricardo, boa tarde. Conforme prometido, segue a resposta dá nutricionista do Hospital das Clínicas de SP com relação às suas dúvidas:

      Qto a alimentação na saf, não há problemas em comer oleaginosas (amendoim,  castanhas…) desde que não abuse. Na realidade o que interfere com o marevan é o óleo. Qto mais gordura temos na dieta, mais iremos absorver vit. K e menor será o inr.

      O óleo de coco tem bastante gordura saturada, mas ao mesmo tempo ajuda no emagrecimento por ser termogenico. Mas nenhuma gordura pode ser consumida em grande escala no uso do marevan. As gorduras são piores que as folhas,  pois sem elas absorvemos 20% da vit K e com as gorduras chegamos a 80% de absorção.

      Não há contraindicação de sementes na saf, aliás elas são ótimas fontes de fibras. Há trabalhos que verificaram que o consumo de linhaça chegou a negativar a anticardiolipina em algumas amostras.

      Espero ter ajudado.
      Caso tenha alguma outra dúvida é só perguntar. Um grande abraço 🙂

  3. ola mais uma vez, então as sementes de linhaça eu consumo na alimentação diariamente, no seu caso o consumo de linhaça chegou a negativar a anticardiolipina em algumas amostras, significa melhorar o exame de t.a.p. isso? se for no meu nao diminuiu a dose do uso de marevan,
    outra coisa, no caso o aumento da vitamina k pelo consumo de gordura, voce sabe me informar se a gordura estas que voce sitou o coco as carnes tambem, mais o salmão voce sabe se aumenta a sardinha o atum tambem?

    1. Oi, bom dia. Pode comer sim. Só não esqueça que, apesar de não ter glúten, a tapioca é rica em carboidratos. Como qualquer alimento, se ingerido em excesso, ela pode engordar. Além disso, a tapioca tem um alto indice glicêmico e, segundo consta, deve ser evitado em pessoas com diabetes tipo 2. Espero ter ajudado. Bj 😉

  4. Oi boa tarde que maravilha amei seu blog encontrei várias opções e dicas e também tirei várias dúvidas obrigada pois minha dieta mudou radicalmente pois já tive trombose​ dois vezes premeira na perna da direita agora na esquerda mas estou fazendo acompanhamento já estou melhor abraço

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