Férias

Pela primeira vez, desde que recebi o diagnóstico de SAF, depois da trombose, eu criei coragem e viajei para longe. Fui para Recife. Contanto o tempo de escala em Salvador e Brasília, a viagem levou 6 horas. Estava muito receosa de viajar e ter outra trombose por causa da viagem, fiquei com medo de ter uma embolia. Minha terapeuta teve um trabalhinho intenso para me convencer que esse passeio poderia dar certo. Eu estava com medo de trombose; medo do lúpus me atacar porque eu estava indo para um lugar de muito sol… ainda estava com a inflamação nos músculos (que ainda está me aqui). Meu instinto de preservação me dizia para não ir, mas diferentemente do que costuma acontecer, resolvi arriscar…
Para me tranquilizar totalmente, mandei um email para o Dr. Roger que me deu as dicas para eu poder viajar tranquila: beber bastante água e usar a meia elástica. Também perguntei a ele se eu também deveria tomar uma injeção de clexane. Em resposta ele me orientou que se eu estivesse com o INR baixo na véspera, que eu deveria tomar a clexane, mas só por garantia, uma vez que que eu já ia viajar com a meia elástica e deveria beber bastante água.
Na véspera da viagem, não consegui fazer o TAP.  Deu um vendaval em Petrópolis que de manhã cedo derrubou um pinheiro próximo à chegada ao meu bairro e me deixou sem luz até às duas e meia da tarde. Precisei pedir um taxi para poder chegar ao centro da cidade.
Depois , ainda desci para o Rio. Sairia de casa muito cedo no dia seguinte.
Fui para Recife, encontrei meus padrinhos e, conheci lugares lindos. Mas, passei o tempo todo com chapéu e blusas UV-Line FPS-50. EU sei que parece piada a pessoa ir para um lugar de praia e passar o tempo inteiro com essas blusas de mangas compridas e chapéu… O chapéu foi mais dificil manter porque ventava muito e por diversas vezes precisei segurar o chapeu com força para não perdê-lo.
Foi ótimo sair, respirar novos ares… Praia mesmo só fui 2 dias. Choveu torrencialmente durante 3 dias que estive lá. Pelo menos não esfriou muito. A temperatura se manteve em aproximadamente 23ºC. Isso ajudou para que eu não ficasse sentindo dor. Foi tão bom não sentir dor por causa do frio, não ficar com livedos por toda pele ou meus lábios arroxeados.
Aproveitei muito, mas, quando voltei para o Rio, estava mais cansada do que quando eu fui.
Com o frio, minhas dores começaram a se instalar novamente, Quando fui para o RPG, minha coluna estava toda desalinhada e o fisioterapeuta conseguiu colocá-la no lugar.

Essa viagem me mostrou como é bom passearmos, irmos para algum lugar diferente do nosso ambiente cotidiano. Ver coisas diferentes nos faz tirar a mente daquele estado de se focar na dor que, na SAF, no Lupus, e em grande parte das doenças autoimunes, é uma constante.
Quem tem a possibilidade de viajar, converse com seu médico e, ele deixando, prepare as malas e tire férias de sua vida com uma doença autoimune.

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